Uma mostra vai ganhando forma à medida em que estabelece relações com seu público. O Cinelapinhô, em suas primeiras edições, vem se conectando à comunidade da Lapinha da Serra, em grande medida a partir das concepções curatoriais.
Mas não apenas. Tudo que se refere à Mostra cria comunidade, se constituindo através do diálogo. A produção, as demandas por hospedagem e alimentação, as necessidades técnicas, as peças de divulgação espalhadas pela cidade, os visitantes que vão à cidade para a mostra.
Uma Mostra é um caleidoscópio de encontros, e buscamos, como equipe, mantermo-nos sensíveis a tudo o que se passa na relação com a cidade.
Para esta terceira edição, a Mostra Cinelapinhô propõe como linha curatorial, “Um Mundo Imenso”, um convite a afinar os sentidos para os reinos que coabitam conosco o planeta, para além do humano.
Inspiradas pelo livro homônimo, que desvenda como animais percebem dimensões invisíveis para nós, propomos uma curadoria que amplie nossas artes de notar: filmes que nos ensinem a escutar a montanha, a traduzir os gestos das folhas, a decifrar a linguagem das nuvens sobre a Serra.
Calar o humano para que essas outras vozes semeiem nossa imaginação.
Afirmamos a imaginação como semeadora de mundos, desde a primeira edição, e nessa, buscamos o que se imagina com parceiros não apenas humanos. O cinema, tão marcado por uma história colonial de homogenização, pode ser também ferramenta de descolonização do imaginário. Se ele já impôs narrativas únicas, agora ele busca criar pontes: entre humanos e não-humanos, entre a pedra e o sonho, entre o que vemos e o que precisamos nos trabalhar imaginativamente para conseguir perceber.
Como a Lua Nova que germinou nossa primeira edição, ou os encontros de mundos que teceram a segunda, esta mostra quer ser um exercício de humildade perceptiva.
Ampliar nossos mundos na relação com animais, vegetais e minerais, constituindo-nos em assembléias interespecíficas em relação com as imagens. Selecionaremos filmes que perturbem o excepcionalismo humano e que nos convidem a aprender com os líquens a crescer em colaboração; compreender com os morcegos que a escuridão também é morada; dançar com os rios a geografia do encontro.
E assim, seguiremos fazendo da mostra um organismo vivo, que respira com a comunidade. Porque a Lapinha vem nos ensinando, a nós, equipe da mostra, que a cultura emerge no diálogo entre o cinema projetado e o cachorro que atravessa a tela e late durante a projeção, entre o debate pós-filme e o vento que perturba o telão da praça. Seguiremos cultivando esse chão, onde a curadoria é feita com o corpo inteiro, atento aos sussurros e brilhos da Serra, às urgências do vento, aos públicos que ainda não chegaram e aos que compartilham conosco seu tempo, sua escuta e suas experiências a cada sessão. Para lembrar que o mundo é imenso..*
Na segunda edição da Mostra, já contando com a aceitação da comunidade e as respostas positivas à Primeira mostra, além de uma percepção mais ampliada das especifidades do contexto, propusemos como linha curatorial, Quando Mundos se Encontram.
Apostando no poder dos encontros para a construção de novos mundos possíveis, e, principalmente, na força do cinema em conectar, dialogar, fazer sonhar e agir, essa segunda mostra foi, também, um momento de nos percebermos, enquanto equipe realizadora, como mundo em relação com o mundo da Lapinha da Serra. Buscamos, então, selecionar filmes que apresentassem possibilidades de conexões entre culturas, tempos, realidades, ideias e experiências. Apostando que encontros criam mundos, e o encontro da comunidade da Lapinha da Serra com esses filmes também seria um momento de criação e germinação de possíveis.
Uma mostra não é apenas formação de público, o que, em si, já é muita coisa.
Acreditamos que podemos, também, colaborar na construção de relações mais empáticas, plurais e respeitosas à diversidade. Por meio de narrativas que cruzam culturas, tempos, realidades e ideias, o cinema pode nos levar a refletir sobre a nossa própria visão de mundo e a nossa responsabilidade como agentes da transformação.
Mantivemos a proposta de selecionar filmes que traziam o universo da fantasia e da imaginação, privilegiando os que dialogassem com as tradições locais da Lapinha da Serra. Consideramos que o momento político pelo qual passávamos nos convocava a posicionamentos que ultrapassassem a polarização política, buscando, através da cultura, possibilitar a construção de laços entre universos, grupos, realidades. Entre mundos.
A Primeira mostra, que aconteceu na lua nova, num contexto pós-pandemia, trouxe a ideia de que Da Escuridão Nascem os Sonhos, procurando desvincular a escuridão de seus sentidos estritamente negativos, e propondo a conexão com o simbolismo da lua nova como gérmen do que vem.
Saíamos todos do contexto traumático da pandemia/quarentena, e sentíamos que precisávamos, todos, de um espaço de acolhimento para o que começava, timidamente, a se apresentar como desejo e possíveis para a vida pós-trauma.
Tal como o cinema e os sonhos, que também nascem do escuro e fecundam nossa vigília de possíveis. Portanto, buscamos direcionar a linha curatorial para essa fecundação, através de filmes que dialogasse com a noite, a imaginação, os sonhos.
Seguimos firmes em nossa concepção de que a imaginação semeia o real, reafirmando nosso compromisso com a comunidade da Lapinha da Serra em trazer e construirmos, juntos, um repertório ampliado de possíveis e cultivar espaços para o sonho, a imaginação, a cura e a criação.
Direção Geral, Idealização,
Coordenação Geral
Tamira Abreu
Curadoria
Cris Ventura
Renata Oliveira
Renan Fernando
Tamira Abreu
Assistência de Curadoria
Luana Cacique
Lírio Ramos
Gestão de Comunicação
Bárbara Burgarelli
Produção Executiva
Raquel Abreu
Bárbara Burgarelli
Assistência de Produção
Eduardo Mamede
Produção Local
Wandick Braga
Assessoria de Imprensa
Janine Horta
Direção de Criação
Eduardo Linke
Social Media
Luiza Wollny
Talita Santos
Fotografia
Luiza Wollny
Vinhetas
Davi Fuzari
Vídeos
Redes Sociais
TV Lapinha
Cenografia
Wandick Braga
Equipe de Apoio
Marcelo Dias
Isabela Costa
Luando Abreu
Oficina Laboratório de Cinema Jovem
Natacha Vassou
Oficina
Arqueologias com Imagens: forma, escuta e jogo
André Di Franco
Júri Oficial
Sávio Leite
André Di Franco
Vitor Miranda